O sol batia-lhe na cara. Tratava-se de um dia agradável, cheio de sol em pleno mÊs de Outubro. Os raios ao chocarem com os seus longos e negros cabelos ondulados, provocavam uma especie de sensaçao incómoda mas ao mesmo tempo agradável em quem olhasse para ela. Já era bonita..mas naquele dia tudo á sua volta ainda a tornava mais bonita.
A areia batida do picadeiro; o portao que todos os dias passava como se fosse o seu primeiro dia e que separava a verdadeira realidade do mundo mágico em que habitava; os caes ladravam e corriam em conjunto, eu diria quizás em busca de um pouco de atençao; as flores sussurravam entre sí, quase em silencio, a beleza daquele lugar como se de um dos 7 pecados capitais se tratasse; as árvores multicolor que ajudavam á creaçao de um ambiente paradisiaco protegendo aquele sitio de possiveis "enemicos"; o som das passadas largas dos cavalos enquanto galopavam, tocavam assim a música da sua vida..
Mas naquele dia estava diferente, estava feliz. Todos paravam para contemplar a beleza daquele ser que emanava de dentro de si uma luz. Nem todos a podiam vÊR e contemplar porque nao se tratava de uma luz qualquer, e só aqueles que em algum momento ou lugar soltaram também essa luz, puderam reconhece-la como sendo o DOM, podiam entender que estavam ante outro..que estavam ante o Dom que ela levava dentro.
As árvores pararam de mover-se, os caes estavam calmos e as flores silenciosas...
Enquanto passava o cavalo á guia, meditava sobre os muros que teve que destruir, as vezes que teve de andar á beira do precipício, do colapso, e as barreiras que teve de soltar para chegar áquele lugar.
Sozinha, demonstrou ao mundo inteiro que é possível conquistar o sol e quem sabe o Universo e que a vida perde todo o seu sentido se nao fizermos o que gostamos. Demonstrou áqueles que a amavam mas que nao acreditaram nela (curioso nao é?) que nem sempre podemos esperar de alguém tudo aquilo que queremos ou que nos convém ouvir, mas que mesmo assim sempre nos devemos apoiar porque quem sabe um dia nao seremos nós a precisar desse apoio.
Acontece sempre o mesmo. Os grandes sabios, os "grandes", esses..lutaram por aquilo que queriam e acreditavam mas num principio, ninguém os apoiou nem acreditou nas suas teorías por parecerem absurdas, descabidas, pouco éticas..esses, demoraram anos a serem reconhecidos. "Mas porquÊ?" - Perguntamo-nos agora - "Porque é que as coisas que têm de ser realmente aceites e significam algo para a nossa sociadade custam tanto a ser reconhecidas?", " Porque é que ignoramos e criticamos tudo aquilo que nao estamos acostumados a ouvir?". Porque infelizmente vivemos numa sociadade onde só aceitamos as coisas quando correspondem com as nossas expectativas e quando estao bem ditas e nao saem desse padrao de normas éticas e morais universais.
O mesmo acontece com ela..Talvez esperassem ouvir uma menina a dizer que queria ser médica ou advogada quando fosse grande, em vez de que queria passar o resto da sua vida a trabalhar com cavalos. Ela foi diferente. Ela é diferente e sempre o será. Com isto nao quero dizer que somos mais que os outros e que somos mais ou menos especiais..mas o simples facto de dizermos sempre o que pensamos e lutarmos pelo que acreditamos torna-nos únicos!
Eu sempre acreditei em ti, eu sempre vi a luz do teu Dom..eu sempre soube que eras única!
Adoro-te kika :)